Eu sempre trabalhei fora e antes de me mudar para a Espanha deixei um trabalho de muitos anos. A decisão foi por um bom motivo, meu marido queria fazer um MBA e ter a experiência de morar fora do Brasil. E eu, com três filhos pequenos, meu filho mais novo tinha um mês de vida quando nos mudamos, aproveitei a oportunidade para ficar com eles em tempo integral. Quando acabou o MBA, com a incerteza economica na Espanha e Europa, meu marido acabou contratado por uma empresa americana com sede europeia na Suíça . E assim, lá viemos nós de Barcelona para Neuchatel. Nova mudança de país, de idioma, de cultura. Mudanças não me assustam e eu até gosto delas, nos tira da zona de conforto e com isso aprendi que nós, seres humanos, somos super adaptáveis aos novos contextos. Para uns pode ser mais penoso e difícil, mas do que já pude ver, a adaptação leva mesmo os primeiros três meses, no final de um ano estamos acostumados. Isto não quer dizer que eu não sinta falta do meu país de origem, da minha família, dos meus amigos, etc ... sinto muita saudade.
Bom, chegamos em Neuchatel, nova adaptação, escola, idioma, novos amigos, ... e como falei, depois de um ano, nos acostumamos.

Apesar de ter adorado ter ficado, agora quase cinco anos, em casa com meus filhos, eu sempre senti falta do meu trabalho. Eu sentia falta de acordar, tomar banho, me vestir, tomar café e sair para o trabalho. E o que eu sentia muita falta era do meu salário. Meu marido é ótimo, mas eu sentia falta do "meu dinheiro". Há mais ou menos um ano, eu comecei a procurar trabalho muito timidamente, porque não falo francês fluentemente, apesar de me comunicar muito bem. Acho que meu nível de exigência é muito alto em relação ao francês já que falo inglês muito bem. Como as três primeiras tentativas foram negativas, eu fiquei um pouco pessimista. Então, veio a quarta tentativa, uma posição que falasse inglês e francês, temporário (cobrir uma licença maternidade). Eu tinha o perfil, tinha experiência e os idiomas, aí fiquei insegura por ser sul-americana. Fiz as entrevistas e tudo foi muito tranquilo, mas eu sabia que ainda tinham mais duas candidatas. No final, numa sexta-feira recebi um telefonema do RH, dizendo que eu tinha sido escolhida e se eu poderia começar dali a 15 dias. Eu fiquei esfuziante, quase não acreditei! Liguei para o meu marido que nesse tempo todo de busca me deu o maior apoio, mas disse para ele que só contaria alguma coisa quando assinasse o contrato de trabalho, eu, realmente, não estava acreditando. Comecei em 16 de abril, estas duas primeiras semanas foram de nova adaptação, ao ritmo de trabalho, aos novos colegas, a nova rotina em casa e com meus filhos. Eu estou muito feliz! A sensação de estar trabalhando fora de novo é "amazing" e "magnifique"! Esse tempo todo que fiquei em casa direto com as crianças foi muito bom mas lá no fundo, eu sempre soube, que eu queria voltar a atividade profissional, por sorte foi na mesma área que sem sempre trabalhei, mas se não pudesse ser, seria em qualquer outra coisa.